Formar mais pensadores ao invés de só consumidores

Mais pensadores ao invés de consumidores, a incerteza do mundo no futuro pode estar fadado ao sucesso ou fracasso.

mais pensadores

Introdução

A cada dia que passa enfrentamos problemas gerados por nossa própria natureza humana, nossa razão de viver por mais bela que seja está perdendo sentido, as pessoas pouco ou nada sabem em que momento estão, hoje estamos mais informados e conectados do que nunca. Mas ainda continuamos ignorantes e cegos quanto a realidade que nos cerca que é “maquiada” para gerar um falso bem estar, enquanto o resto do mundo sangra sozinho a parte desta fantasia.

autor: Taynã Grant Pusch

COMO ERA ANTIGAMENTE…

Se nós retrocedermos um pouquinho como a 100 anos atrás, a realidade já era muito próxima da atual mas muito diferente ao mesmo tempo, começava-se a introduzir elementos que fazem parte do nosso dia a dia, televisão, cinema, fotografia, automóveis, geladeira e etc. Saíamos aos poucos da revolução industrial (1820) para entrar na era moderna de hoje, da tecnologia.

A população mundial era de 2,5 bilhões de indivíduos em 1950 “menos da metade da quantidade atual”. Mas se nós retroceder no tempo em 500 anos, nós humanos não possuíamos direito a nada e assim foi até meados de 1750 quando a monarquia começou entrar em colapso e os movimentos sociais começaram a ganhar força e a conquistar direitos.

Mas até então quem tinha os direitos sobre tudo era a Realeza e o Clero e uma classe de mercadores e burgueses que ascendiam conquistando riqueza através do comércio (mercadores) e vilas muradas protegidas oriundas do feudo e também da concentração de riqueza de alguns mercadores, que deram origem as cidades atuais, na época chamavam-se “bur-gus”, logo então, os burgueses eram as pessoas que habitavam as vilas “cidades”, enquanto os demais eram do campo e produziam para estes vilarejos, nós éramos uma população de 425 milhões, demoraríamos 300 anos para dobrar este número em 1800 d.C  quando alcançamos o primeiro bilhão de pessoas.

Voltando mais no tempo, 500 anos d.C éramos uma população de 190 milhões de habitantes, os Romanos do ocidente já haviam sido derrotados pela invasão bárbara, que eram povos que durante séculos foram aos poucos dizimando e se misturando entre os Romanos. Nesta primeira etapa da “civilização” me refiro ao primeiro milênio d.C, o que reinava era a guerra, a morte, o descaso com a vida e a ignorância.

A superstição era fruto da ignorância interpretada como verdade absoluta, o que hoje observamos algo parecido com o fenômeno “fake news”, pessoas que compartilham uma falsa notícia acreditando ser verdade. Claro que naquela época as pessoas pagavam com a vida muito facilmente e o fruto desta superstição tinha característica de oferecer o medo em troca de um controle dessas pessoas.

As barbaridades e atrocidades cometidas entre humanos por muitos séculos, fazem com que a realidade de hoje seja um sonho de se viver mesmo apesar de toda dificuldade que nos acerca dia a dia!

O que eu quero extrair disso?

A qualidade de vida hoje é muito superior, e atrelado a este sucesso de qualidade que passamos a morrer menos e nascer mais. Pois as doenças que nos afetaram no passado foram estudadas, aprendidas e tratadas. Garantindo assim menor taxa de mortalidade no nascimento e também na velhice. Sendo assim a fórmula que nos fez chegar onde estamos em termos de quantidade de pessoas.

Observa que de 500 d.C até 1500 d.C, levaríamos 1000 anos para dobrar de população, e depois 300 anos para dobrar novamente, depois cerca de pouco mais de 100 anos para dobrar novamente (1800 à 1900 d.C), e aí como se já não houvesse tido uma explosão absurda no crescimento da população mundial, de 1950 à 2000 d.C a população levou 50 anos para dobrar novamente. E hoje estamos na casa dos 7 bilhões e rumo a dobrar novamente.

ATUALIDADE

Hoje somos forçados a correr contra o relógio, disputar entre si atrás do mérito, uns bajulam “puxam o saco”, outros trapaceiam, e nesta corrida da sobrevivência, uns já largam na vantagem perante os outros, trazendo a tona a diferença social que existe, fazendo com que haja aqueles que trabalham para “servir” àqueles que, por sorte ou não, teve mais condições (dinheiro e estudo) para vencer na vida “vencedores”, mas estes dois grupos de pessoas se iludem pela gama de distrações e condutas que existem, e vivem de forma muito similar, mesmo que praticamente em guerra entre si “a violência”.

Ambos perseguem a felicidade e a prosperidade, pois nossa natureza é a mesma, o que nos diferencia é o meio e não as pessoas, as pessoas tem concepções diferentes por viverem em realidades diferente. Mas enquanto o sonho de um é um iphone X, o do outro é um smartphone de segunda ou terceira linha, enquanto o sonho de uns é sair pra jantar, viajar, comprar uma casa, ter um carro e matricular o filho num bom colégio, os de outros é conseguir comprar algo para comer, pagar o aluguel do mês, conseguir um lugar no ônibus lotado, conseguir uma vaga na escola pública.

Você pode pensar que existe uma grande diferença aí, mas na realidade nunca estivemos tão parecidos em termos de acesso. Pois hoje nascendo com melhores condições de vida não é garantido de que será um vencedor da mesma, e nascendo sem condições não dita que você estará fadado a pobreza certa. Pois ambos podem fracassar ou vencer, não em mesma proporção é claro, mas o diferencial está no individuo, sua relação com o meio, oportunidades, educação, dedicação e é claro, um pouquinho de sorte.

É fato hoje a maioria das pessoas se comunicarem através de um smartphone, e grande parte possuí ao menos uma televisão em casa, consegue adquirir um imóvel e também um automóvel. É claro que existem lugares onde pessoas não possuem nada, nem comida, nem força para se levantar devido a desnutrição avançada.

Mas o que eu quero dizer? que se hoje fosse uns 300 anos atrás, grande parte nasceria escravo, aprender a ler seria inacessível, assim como adquirir livros e pertences, trabalharia de sol a sol em circunstâncias que hoje chamamos de “desumanas” só para ter um prato de comida e a morte certa estaria a espreita de todos se só discordassem de alguma ideia.

Pode parecer bizarro dizer isso, hoje somos mais livres do que em qualquer época da história, mas não deixamos de ser escravos, passamos a ser escravos salariados. As pessoas hoje podem ir e vir e ter seus direitos garantidos, não podem ser agredidas, desrespeitadas e tratadas de maneira desigual. Embora isto aconteça com frequência, não da para comparar como a 100 anos atrás, quando um louco achou que o problema era os Judeus e mandou matar milhões. Tipo, valor da vida “zero”, nem o preço da bala do fuzil essas pessoas valiam, pois bolaram formas eficientes de matar pessoas em massa a baixo custo.

Voltando mais um pouco ao quanto este valor foi mudando, um exemplo é retirado da época de 1850, as fábricas contratavam pessoas sob regime escravista e desumano, pois nesta região e período havia escassez de alimentos e riqueza, e as pessoas eram forçadas a trabalhar de qualquer jeito a qualquer custo se quisessem viver, jornadas de 17h, sem férias, sem aposentadoria, sem final de semana, trabalhando em meio a fumaça de poluentes, calor excessivo ou até frio excessivo, sem nada para se proteger além da roupa do corpo.

Através disso uma onda de descontamento e indignação tomou conta dos empregados destas fábricas, que resolveram fazer uma parada “greve” por melhorias de trabalho, e isto ocasionou num grande massacre, pois não se admitia uma pessoa desfavorecida exigir ou ter direitos, os donos da fábrica com seus capatazes, junto ao apoio do estado (com a força da polícia) foram lá e passaram fogo em todo mundo “para dar exemplo”, só que graças a estas desgraças, que estas pessoas não morreram em vão, pois através de situações assim que hoje você goza de muitos direitos, inclusive no âmbito do trabalho, fruto desta luta foi marcada pela dia 1º de maio, “dia do trabalhador” .

Tá mas e aí? continuamos…

A INDUSTRIA ALIMENTÍCIA, O PREÇO DA NOSSA EXISTÊNCIA

Além dos setores industriais abarrotarem o mercado com itens que as pessoas compram diariamente gerando uma quantidade absurda de lixo, existe o setor alimentício que também se tornou uma indústria.

E para suprir a necessidade e demanda de todas essas pessoas, florestas são derrubadas cada vez mais para o plantio e para criação de animais.

A decorrência disso? aumento de CO2, poluição de rios, morte de animais e plantas silvestres. E isto agrega como uma peça importante para o aquecimento global, pois este fenômeno é um conjunto de nossas práticas “não naturais”, para sairmos por aí depois de peito estufado e dizer “somos seres humanos” desenvolvemos a civilização, somos seres civilizados. Será?

Pois veja só, ao citar exemplo o Brasil que desperdiça 41 MIL toneladas, é por ano? não, isto é por dia! enquanto pessoas esmolam por comida ou passam fome. Onde está a humanidade nisso? aí você entra na internet e vê um mundo de pessoas exemplares esbanjando sabedoria e conhecimento pelas redes sociais, mas na hora do “self-service” não consegue fazer um prato que os alimentem essencialmente sem desperdiçar.

Exemplo disso muitas pessoas (quase maioria) se servem mais do que aguenta comer e desperdiça ao final. Legítimo ditado “o olho maior que a boca”. Acho que algumas pessoas fazem isto de propósito, tipo: comi e sobrou “sou educadinho”, raspei o prato que quase cheguei a lamber, este então é um “pobre de um morto de fome”. E esta hipocrisia tá em todo lado, o “sujo” falando do “mal-lavado” sempre!

Talvez as pessoas adquiram uma maior consciência na hora de comer, quando algum dia tiver a capacidade de ter alguma forma de empatia. Conseguir enxergar que ali bateu um coração cheio de vida, e que ao chegar a este propósito, foi caminhando lentamente para seu destino, através do nosso processo “hi-tech” de abate, inundando-se de tristeza e medo, sentindo o cheiro pútrido da morte de sua breve vida invadindo suas narinas, saindo de lá mutilado e irreconhecível em uma embalagem com datas, números e selos, e se já não houvesse sacanagem suficiente nisso, depois de preparado, com a finalidade de nutrir nós humanos é desperdiçado.

Eu acho que esta falta de respeito com o alimento deveria ser punida, pois é um absurdo gerar tanto desperdício enquanto do outro lado há pessoas que sonham com um pedaço de carne na mesa. Não sou vegetariano, reconheço que há esta necessidade de carne. Neste momento não estou apontando para pessoas que comem ou que não comem carne, mas sim para pessoas, que é esta hipocrisia, no qual tá lá no computador dizendo que ama os bichinhos, cachorro, gato, papagaio e a natureza, abarrota o prato de comida, come metade e depois diz: “ah estou satisfeito não quero mais”.

Ah tá mas o que vamos fazer então? vamos pensar galera! por que nós temos tanto essa necessidade de se multiplicar, de se desenvolver, de crescer e crescer?

Será que é porque o mundo propriamente dito é assim? a natureza mesmo sabe até onde deve crescer e tenta se manter em equilíbrio mesmo quando as vezes não haja. A natureza é tão sábia em sua forma de ser, busca ser eficiente em tudo. Somos frutos desta natureza, porque não podemos ser sensatos e eficientes como ela?

“Ah, porque somos seres especiais vindo de um lugar especial” conversa do século XV, que já é muito defasada. Nosso paradeiro aqui ocorreu num breve espaço de tempo, e iremos embora muito antes disto acabar. Mas acima de tudo vivemos o hoje, e sim, existirá um amanhã, um novo amanhã todos os dias, para alguém haverá.

É vital para enriquecimento das nações e de seus “investidores” que continuemos nesta caminhada nos multiplicando e multiplicando, pois cada vez querem vender mais, e mais pessoas querem vender, vender, vender e vender. Somos clientes e reféns deste estado, trabalhamos para pagar os impostos, enquanto o retorno é muito pouco do que deveria ser de fato.

Mas quem é o culpado de tudo isso? é você? eu? ou nós?

O mercado desde seu início nos primórdios até os dias de hoje é o culpado, mas o mercado é uma coisa ruim? acho que não, mas o que é comercializado sim, a finalidade da comercialização sim, a ganância de quem comercializa é o mais importante de todos, pois ela é monopolista, só favorece a quem tem o poder e a qualquer custo, pode ser a vida de pessoas e animais, os recursos naturais, e veio sendo assim até hoje.

Entrando neste argumento, pegue por exemplo o universo que abrangeu o petróleo, que por muito tempo impediu a evolução de novas formas energéticas, uma pelo preço (barato) e outra pelo comodismo, e é claro isso! o cara cavou um buraco que jorrava trocentos barril de petróleo por dia de graça de dentro da terra, agora que a torneira está quase “secando” com os dias contados está sendo ampliada a discussão e implementação de outras fontes de energia, mas por quê agora?

Pois eles (grandes corporações) sabem que não vai dar pra sustentar tudo que existe em torno do petróleo atualmente por muito tempo, então para não haver um colapso mundial de energia, agora tão cedendo o espaço pra outras energias, e também porque já ganharam grana até pra 100 gerações após a nossa, e provavelmente estes (filhos e herdeiros) são ou serão os donos das novas empresas de eco energia ou energia limpa.

Outro exemplo temos na agricultura, o latifundiário com aquele espaço de terra de perder de vista, cheio dos “boizinho”, contrata uma dúzia de gente para tocar a fazenda, “baixo custo com mão-de-obra”, e depois vende a carne para os frigoríficos (de primo, irmão, amante) pois existe um protecionismo muito forte em torno do poder, mas é mais conveniente e lucrativo assim, possuir o controle de grandes porções de terra (enquanto tem gente sem onde poder morar), e ganhar rios de dinheiros sendo ajudado pelo governo, em concessões, liberação de alvarás, desmatamento de áreas protegidas e por aí vai.

Por quê não podemos incentivar mais o consumo de outros alimentos como o “fungo” por exemplo? “ah precisa de muita estrutura e dinheiro”, “o produto não tem muita saída ou mercado”, será mesmo? quem dita esta saída é o preço, o consumidor só precisa conhecer e ter o acesso.

Será que deve ser mais caro produzir 1kg de funghi do que 1kg de carne? enfim, gostaria que mais pessoas ajudassem a levantar e discutir estas questões, mas sei que a quantidade de nutrientes nos cogumelos “fungos” é muito proximal da encontrada nos animais se não for superior.

Voltando ao Petróleo, o que para mim é passado já, sei que parece ridículo dizer isso, mas sim, estamos vendo agora o mundo ser minado por tecnologias e mecanizações realizadas através da energia elétrica.

Este trajeto da mecânica industrial veio desde do início da civilização com a tração animal para realizar trabalhos, passando depois pela era industrial (vapor das caldeiras), e agora estamos, acredito eu, caminhando para o fim da era do petróleo como fonte de energia.

E até que enfim, século XXI, estamos olhando mais para as fontes de energia renováveis como nunca antes, e este tem que ser o futuro, a eficiência, temos que ser eficientes em produzir energia, utilizar energia e re-utilizar energia. Claro que sim, e isto hoje em dia é possível e deve ser cada vez mais priorizado ao máximo.

Este é o primeiro post do ano da Pensar Natural, coloquei outros tópicos pra escrever neste artigo mas já ficou muito extenso para leitura, vou deixar para os próximos capítulos deste ano.

Pensar Natural quer promover a discussão, não vendemos produtos (ainda), mas queremos trazer produtos sustentáveis cada vez mais, também anunciamos parceiros de negócios, mas a ideia central é promover sustentabilidade e a ideia utópica de uma civilização avançada, sustentável e igualitária seja ela cunhada nos mesmos moldes de hoje, se o capitalismo trouxe garantias, direitos e conquistas, talvez haja uma forma de através dele continuarmos a evoluir, mas não somente para este tipo de consumo, mas sim um consumo consciente e sustentável no qual ainda possamos trabalhar, sonhar e viver, sem danar com resto do mundo.

E para isso precisamos muito da sua ajuda também.

Então my friend, spread the words today and everyday!

Um grande abraço e um ótimo 2018 para todos nós!

 

COMENTÁRIOS


DEIXE O SEU COMENTÁRIO


Deixe uma resposta