Alimentação da Antiguidade – Mesopotâmia

 

Quando falamos da culinária das primeiras civilizações, utilizamos de textos bíblicos e achados de escavações arqueológicas, e através disto montamos um quebra-cabeça, um cenário vivido naquela época e a história pode ser contada novamente.

Alimentação da Antiguidade - Mesopotâmia

Em base de inúmeros relatos constituídos através destes achados, é possível ter uma noção ou dimensão da importância de que os banquetes e celebrações exerciam sobre aquele povoado, como exemplo: Os Faraós.

Além disso podemos compreender a diferenciação entre a comida da nobreza e a da plebe e compreender alguns hábitos que até hoje permanecem presentes,  compreender melhor a conexão do homem com a sua alimentação.

MESOPOTÂMIA

na antiguidade

Deriva do grego antigo, que diz “meso” = “meio” e “potâmo” = “água ou rio”, noutras palavras “terra entre dois rios”, conhecidos como Tigre e Eufrates. Nos dias atuais compreendem maior parte do Iraque, Kuwait, partes orientais da Síria, fronteiras Turquia-Síria e Irã-Iraque.

Considerada um dos berços da civilização, Na idade do Bronze, compreendia a Suméria, Acadianos, Babilônicos e Assírios. Eles dominaram a região desde o início da história escrita (3100 a.C) até a queda do império Babilônico em (539 a.C).

Tábuas cuneiformes que foram encontradas no sítio de Mari, situado na Síria, próximo a fronteira com o atual Iraque. Informa a respeito do reino soberano de dois nomes: Yasmah-Addu entre (1796 a 1776 a.C), e Zimri-Lim entre (1775 a 1761 a.C).

Mari nos dá uma referência, já que não possuímos registros dos palácios da Babilônia, (foram todos destruídos em meio às guerras), que era tido como o principal reino nesta época.

Numa mistura entre o divino e o humano, vários exemplos e pistas, são retirados da literatura mitológica e religiosa, e sendo esses, nos fornecem uma melhor ideia, de como os banquetes reais eram servidos nesta época.

Em meio a estes banquetes eram constituídas: alianças, a tomada de grandes decisões, a inauguração de templos, a recepção de delegações estrangeiras, o estreitamento nas relações com o seu povo e com os deuses, e a comemoração de vitórias obtidas nas guerras.

comercio na antiguidade

As Festas

Nessas ocasiões, o Rei, como principal liderança, ordenava a prestação de homenagem aos deuses e divindades da época, e neste contexto uma cerimônia rigorosa era seguida.

Os mais importantes eram agrupados de acordo com sua profissão ou posição social. Os convidados a serem homenageados, sentavam-se próximo ao rei, enquanto os demais sentavam-se no chão.

Ambos comiam de acordo com sua posição hierárquica, o rei  como figura principal, era o primeiro a ser servido, quando ele tratava de homenagear alguém, poderia ceder seu próprio prato como gesto de honra e prestígio.

Informações que foram coletadas em documentos, tratavam da contabilidade do palácio, foram exemplos de “livro-caixa” atuais, quando todos se sentavam em seus devidos lugares, os criados passavam jarros de água para que todos lavassem as mãos, além disso, distribuíam frascos com óleo perfumado de cedro e zimbro para a higiene antes e depois da refeição.

No cardápio destes eventos reais, constam a carne grelhada e guisada, acompanhados de pães e legumes. Nas sobremesas são encontradas as frutas e bolos adoçados com mel, nesse sítio arqueológico foram encontrados vários tipos de formas, o que nos denotam, é que os bolos eram feitos em formatos diversos.

Produtos que eram mais raros na época, também foram encontrados, como peixes de água doce, ovos de avestruz, cogumelos e pistaches. As refeições eram regadas a vinho e cerveja, dado que a cerveja era fermentada através da cevada e tâmaras.

Confecção de Cerveja pelos Sumérios

sumerios fazendo cerveja

Todo este banquete era apreciado junto a performance de artistas da época, em forma de pequenos espetáculos para entretenimento. Não possui registros de que a família real participasse destes eventos e tão pouco as mulheres, em outras palavras, era um típico jantar de negócios.

Ao término das refeições reais, todos os guardas e os empregados do rei, podiam se servir das sobras dos convidados. Posteriormente ao banquete, era feita uma troca de presentes, como vestes de luxo e ferramentas feitas de metal. Outros relatos apontam que, quando o número de convidados ultrapassavam uma certa quantidade, o evento era realizado nos jardins do palácio.

Um exemplo observado no período neo-assírio, traduz o poder e majestade de um rei. A ocasião foi a inauguração de um palácio construído no período  (883-859 a.C) por Assurnasírpal II. A festa durou 10 dias junto a todo povoado, algo em torno de 69 mil pessoas.

Nesta ocasião a lista do palácio real tratava de: mil bovinos, 15 mil ovinos, 20 mil aves, 10 mil peixes e milhares e milhares de jarras de vinho e cerveja. Essa tradição em realizar banquetes, se estende até o declínio do império neobabilônico em (539 a.C).

Juntamente, em paralelo ao banquete real, outro era destinado às estátuas dos deuses, que eram dispostas da mesma forma de como os convidados reais eram, só que ao invés dos empregados dos reis servirem, este trabalho era feito pelos sacerdotes do templo.

Eram conhecidas algumas categorias de profissionais, chamados de “prebendados”, os quais eram: cervejeiros, padeiros e pasteleiros. Além disso, as tavernas já faziam parte dos povoados da mesopotâmia desde (2000 a.C), gerenciado por mulheres,  esses estabelecimentos serviam de local de interação e integração, eram frequentados por viajantes e moradores da região.

Indivíduos que fossem submetidos a uma espécie de ritual de exorcismo, deveriam passar na taverna antes de voltar pra casa, como um rito de reintegração social, além disso, depois das refeições e bebidas , era possível retirar-se na companhia de mulheres. Na alimentação servida pela taverna, acredita-se que eram: carnes grelhadas, pães, sopas e cerveja.

Como de costume em alguns povos da antiguidade, estes banquetes serviam para fortalecer a imagem do rei, reforçar os laços com os deuses, e manifestar a riqueza e hierarquia para os povos, já aos demais, povo local, só restava a sobrevivência.

Continua…

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